quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Câmera escondida!

Mercosul vai começar 2007 atrás de solução para seus entraves

Brasília - A lentidão na consolidação de um mercado comum, a insatisfação das economias menores e os recentes conflitos entre Argentina e Uruguai, entre outros fatores, explicitam fragilidades do Mercosul. Mas governos e sociedade civil organizada do Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina e Venezuela, os cinco países membros, continuam apostando na integração e ampliação do bloco.
Iniciativas nesse sentido ocorreram em dezembro, com a instalação do Parlamento do Mercosul, a realização da primeira cúpula social do bloco e uma profunda discussão sobre problemas durante a 31ª Reunião do Conselho do Mercado Comum. Novo impulso deve ser dado logo no início do ano, com a 31ª Reunião de Chefes de Estado do Mercosul. O evento será realizado dia 19 de janeiro, no Rio.
Durante a solenidade de instalação do Parlamento do Mercosul, no último dia 14, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a iniciativa afastou a idéia de crise no bloco e demonstrou otimismo. Para ele, o Parlamento vai “harmonizar as legislações nacionais em diversas áreas”, além de reunir o “pluralismo político e a diversidade cultural” do bloco e discutir as divergências entre os países.
Enquanto representantes dos governos criavam o parlamento conjunto, representantes da sociedade civil debatiam as funções da nova instituição na 1ª Cúpula Social do Mercosul.
“Muitas vezes, na integração latino-americana, criamos primeiro as instituições e depois [discutimos] a realidade. Isso sempre é um risco. Mas, ao mesmo tempo, acreditamos que esse parlamento vai ser o primeiro espaço de uma certa supranacionalidade, onde os parlamentares terão que debater os interesses da região”, avaliou a uruguaia Cecília Alemany, integrante da organização Social Watch. “Acreditamos neste espaço como uma oportunidade para tentar avançar em tópicos que não avançam de outra maneira”.
O documento final da Cúpula Social, que será apresentado durante a reunião de chefes de Estado, sugere que o parlamento tenha participação igualitária de homens e mulheres e que sua agenda priorize temas de igualdade de gênero, igualdade étnico-racial e direitos humanos. “São as preocupações da sociedade civil e deveriam fazer parte da agenda dos parlamentares”, resume Cecília.

Relógio do Apocalipse!

WASHINGTON, (AFP) - O Relógio do Apocalipse, barômetro do Boletim de Cientistas Atômicos, que simboliza a iminência de um armagedon nuclear, avançou dois minutos nesta quarta-feira, uma decisão que reflete o agravamento da ameaça nuclear, informou um grupo de eminentes cientistas em um comunicado.
O relógio marcava sete minutos para a meia-noite, hora simbólica de uma catástrofe mundial.
Esta será a primeira alteração no relógio desde fevereiro de 2002, informou à AFP Kennette
Benedict, diretora deste grupo científico, informando que esta decisão, "se apoiou em um agravamento da ameaça nuclear e daquelas vinculadas ao aquecimento climático".

Ela não informou em quantos minutos será adiantado o ponteiro do relógio, criado em 1947 por cientistas de Chicago, que participaram do projeto Manhattan para simbolizar os riscos que as armas nucleares significam para a humanidade.

O projeto Manhattan deu origem à bomba atômica, lançada pela primeira vez sobre Hiroshima, no Japão, em 6 de agosto de 1945.

"Este último movimento importante (do relógio) traduz as inquietações crescentes de uma 'segunda era atômica', devido às graves ameaças causadas pelas ambições nucleares do Irã e da Coréia do Norte, dos materiais nucleares não protegidos na Rússia e em outros lugares, bem como as 2.000 a 25.000 armas nucleares deslocadas todos os dias nos Estados Unidos e na Rússia", explicou o comunicado.

Pegadinha do Mução!

Camisinhas nas escolas

Os ministérios da Educação e da Saúde pretendem distribuir camisinhas, antes distribuídas em postos de saúde, nas escolas.

Tudo começará com um concurso nacional voltado para os centros federais de educação tecnológica, os Cefets. Eles serão responsáveis pela elaboração de um projeto pedagógico e de uma máquina, semelhante às de refrigerantes, da qual os alunos retirarão os preservativos.

“A intenção é associar a tecnologia do aparelho a uma tecnologia social capaz de desenvolver uma cultura de saúde e prevenção para esses jovens”, explicou a coordenadora-geral de articulação da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC), Rosiléa Wille.

A questão, segundo a coordenadora, não é somente de oferecer os preservativos, distribuídos gratuitamente pelos postos de saúde. Mas de elaborar uma ação educativa capaz de esclarecer os alunos sobre a necessidade do uso do preservativo.

“Não é o projeto de uma máquina, mas o desenvolvimento de uma consciência e de uma responsabilidade sobre a sexualidade”, afirmou.

Uma conseqüência imediata da ação, que faz parte do projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, é a ampliação do debate sobre educação sexual nas escolas. Cada Cefet pode inscrever várias equipes, compostas por pelo menos um professor e cinco alunos.

O processo de elaboração e análise dos projetos será desenvolvido este ano. O vencedor ganhará um prêmio em dinheiro no valor de R$ 50 mil. Estima-se que o protótipo desenvolvido a partir do concurso esteja em toda a rede de ensino já em 2008.

A Literatura e o Futebol!

GARRICHA e CARLOS DRUMMOND
“Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irónico e farsante, e Garrincha foi um dos seus delegados incumbidos de zombar de tudo e todos, nos Estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.”

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

"Mineira". Um retorno ao Feudalismo?

Na cidade do Rio de Janeiro, atualmente, o narcotráfico instalado nas favelas e comunidades carentes sofre duros um golpes. Estes são desferidos pela “Mineira”, uma milícia composta por policiais e bombeiros na ativa e aposentados. A “Mineira” expulsa os traficantes das comunidades e garante que eles não mais voltem. Em troca exigem uma certa quantia mensal de cada família além de taxar a entrega do gás e “serviços” como gatos na rede elétrica e do sinal de televisão a cabo. A população dessas localidades aceita de bom grado o “serviço” prestado pela “Mineira” visto que esta a livra do jugo imposto pelos traficantes e afugenta possíveis ladrões reinstalando a ordem.

Vendo esse quadro parece que estamos retrocedendo no tempo. Na época do feudalismo os senhores feudais ofereciam aos camponeses, um pedaço de terra proteção dos salteadores, e em troca estes prestavam serviços e pagavam taxas ao senhor. A ascensão do sistema feudal se deu graças ao enfraquecimento do Império Romano conseqüente das invasões bárbaras. O feudalismo deu tão certo que o Império Romano acabou e os senhores feudais se tornaram os verdadeiros governantes da Europa sendo mais poderosos até mesmo que os reis. Os “senhores mineiros” não dão pedaços de terra mas protegem os “camponeses” dos salteadores que infestam nossas terras. Também cobram taxas por sua proteção cobrando taxas sobre serviços essenciais aos camponeses e aqueles que se recusam a pagar ficam a mercê dos salteadores ou enfrentam a “espada senhorial” ou em casos piores enfrentam as duas coisas.

Pode-se dizer que a população de um modo geral é conivente com a “Mineira”. Sente-se vingada. Afinal a “Mineira” faz o que todos nós temos vontade de fazer com os bandidos. Mas se deixarmos os sentimentos de revanche de lado e formos racionais veremos que isso não está certo. É inegável que a “Mineira” tem feito um trabalho bom expurgando os maus elementos de nossa sociedade. Porém, não há um Estado? Não é obrigação do mesmo fazer o que ela está fazendo? Não é para isso que pagamos impostos? Se a “Mineira” é composta por policiais, por que não fazem o que estão fazendo vergando seus uniformes e dentro de seu horário de serviço? Devemos lembrar que os narcotraficantes, no início, também eram benquistos nas comunidades onde atuavam. Que garantia temos de que compactuando com a “Mineira” não estamos criando uma cobra para nos morder, no futuro?

Rezemos para que o “Império Fluminense”, decadente, se levante e cumpra seu papel para que não sejamos “vassalos” de “suseranos” que poderão se tornar tiranos. Se isto acontecer que existam “burgos” para onde aqueles que estiverem insatisfeitos possam escapar do jugo feudal.