domingo, 1 de outubro de 2006

Animação comédia!

PMDB e PDT lideram em número de candidatos

Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil


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Brasília - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou hoje (3) o número de candidatos registrados até o momento para disputar as eleições deste ano, de acordo com a filiação partidária. Dos 29 partidos políticos inscritos no TSE, o PMDB é o que possui o maior número de concorrentes registrados: 1.334, seguido de perto pelo PDT, com 1.330, o PT, com 1.207, e o PSDB, com 1.155. A legenda com a menor participação é o PRB, com 103 candidatos, seguido pelo PSTU, com 127, e o PCdoB, com 367.

Até o momento, são 19.619 inscritos para concorrer aos seis cargos em disputa. São oito candidatos a presidente da República, 213 a governador, 236 a senador, 5.525 a deputado federal, 12.945 a deputado estadual e 692 a deputado distrital (que concorrem no Distrito Federal). O PSDC é o único com candidatos a governador em todos os estados, seguido pelo PSOL, com 24, PT, com 18, e o PSDB, 17.

O maior colégio eleitoral do país, o estado de São Paulo, também possui o maior número de candidatos na disputa: 2.859. Em segundo lugar, está o estado do Rio de Janeiro, com 2.328, seguido por Minas Gerais, com 1.570. Já o estado com o menor número de concorrentes é Sergipe: 269.

O número de candidatos somente estará consolidado após 23 de agosto, quando todos os pedidos de registro de candidatura devem estar julgados pela Justiça Eleitoral.

No dia 1º de outubro serão escolhidos o presidente da República, 27 governadores, 27 senadores, 513 deputados federais e 1.059 deputados estaduais/distritais. A relação completa de candidatos pode ser acessada no site do TSE.

Traços do golpe de 64

Ubiratan Brasil

O ex-presidente João Belchior Marques Goulart (1918-1976), conhecido popularmente como Jango, não era uma figura fácil de caricaturar: não possuía características físicas marcantes, que pudessem ser distorcidas pelos artistas na feitura de um retrato de fácil identificação pelo público. No máximo, uma calvície incipiente, que ele tentava evitar usando produtos específicos, o que era destacado pelos desenhistas. Outros políticos daquela época, o início dos anos 1960, davam menos trabalho aos caricaturistas, como Tancredo Neves, Jânio Quadros e Carlos Lacerda, todos com expressões muito marcantes.

Mesmo assim, Jango foi um dos presidentes brasileiros mais retratados da história justamente por comandar o País em uma de suas fases mais atribuladas - desde que assumiu o cargo, a 7 de setembro de 1961, substituindo Quadros que renunciara, até 1º de abril de 1964, quando foi deposto pelos militares, ele enfrentou um conturbado contexto político que culminou justamente com o golpe. Durante esses três anos incompletos, Jango, tanto por ações realizadas ou cogitadas como presidente da República quanto por ter despertado temores, muitas vezes imaginários, de que pretendia trilhar projetos políticos radicais, despertou a ira criativa dos caricaturistas dos principais jornais.

Uma quantidade tamanha que despertou a atenção do historiador Rodrigo Patto Sá Motta que, em 2002, iniciou uma detalhada pesquisa. Logo, ele percebeu que as críticas embutidas nas caricaturas ajudaram a enfraquecer o governo, divulgando imagens que alimentaram o medo e a insegurança, caldo de cultura em que o golpe militar foi gerado. O resultado é o livro Jango e o Golpe de 1964 na Caricatura, que a Jorge Zahar Editor envia até o fim da semana para as livrarias.

O primeiro detalhe percebido por Motta foi o contexto histórico que favorecia aquela produção caricatural - nos primeiros anos de 1960, uma conjunção de elementos, nem sempre comum na história brasileira, apontava para uma polarização aguda entre esquerda e direita, gerando a sensação de que haveria uma ruptura grave (como um golpe ou uma guerra civil) e, ao mesmo tempo, uma relativa liberdade de expressão. “Por conta disso, a produção daquele período foi brilhante”, disse Motta ao Estado, por telefone, dos Estados Unidos, onde faz pós-doutorado na Universidade de Maryland. “Os caricaturistas estavam estimulados pelo quadro político e não sofriam ainda com mecanismos autoritários.”

Em seguida, depois de selecionar os desenhos mais expressivos como crítica política, aqueles que serviam como peças de intervenção no debate público, Motta separou os caricaturistas a partir de suas tendências. Assim, do ponto de vista político, os trabalhos de Hilde, Adail e Biganti aproximavam-se do ideário liberal, de feição marcadamente anti-esquerdista e anticomunista. “No caso de Hilde, essa postura vinha acompanhada do compromisso com o projeto político de Carlos Lacerda, cuja candidatura presidencial ela defendeu com entusiasmo.”

Já caricaturistas como Lan e Augusto Bandeira apresentavam postura ideológica menos nítida, uma vez que criticavam tanto a direita quanto a esquerda. “É interessante observar que essas diferenças ideológicas eram coerentes com as posturas assumidas pelos jornais em que os desenhistas publicavam”, observa Motta, lembrando que o primeiro grupo se concentrava em torno de jornais afinados com o ideário liberal, como O Estado de S.Paulo (Hilde Weber e Biganti), Tribuna de Imprensa (os mesmos Hilde e Biganti), enquanto esse pertenceu a Lacerda, e o sensacionalista Maquis (Adail). Lan e Augusto Bandeira eram desenhistas, respectivamente, do Jornal do Brasil e do Correio da Manhã, jornais que chegaram a apoiar alguns projetos reformistas.

Antes de transformar em livro, o material pesquisado inspirou uma tese em que Motta defendia a idéia de que, em épocas de grande insegurança e temor, “as formas de linguagem capazes de mobilizar a comicidade e o humor tornam-se particularmente atraentes, pois o riso ajuda a lidar com o medo”. Ele está certo de que as zombarias dirigidas a João Goulart não provocaram uma resposta agressiva da parte do presidente, tampouco foram responsáveis por sua queda. Mas ajudaram a construir um retrato desfavorável de Jango, realçando e atribuindo-lhe qualidades negativas.

Além da falta de cabelos, Jango era retratado com os olhos fechados ou voltados para o chão, que ressaltavam um certo retraimento e timidez, características do ex-presidente. Legítimo herdeiro do populismo de Getúlio Vargas, ele era, na ótica conservadora, um demagogo, autoritário e protetor dos comunistas. Para a esquerda, ao contrário, Jango era considerado um político sensível às causas populares. Desse confronto, que o próprio presidente não soube contornar, resultou o golpe militar.

Seu governo, aliás, começou sob o signo da crise, com a instituição do parlamentarismo, manobra encontrada pelos conservadores para limitar seu poder. O esforço de Jango em retomar o regime presidencialista acentuou, para os caricaturistas, sua imagem de líder esperto, capaz de montar estratégias maliciosas para alcançar seus objetivos. “Havia muita argúcia política no traço desses desenhistas”, comenta Motta, lembrando que ambigüidade política de Jango era muito explorada.

À medida que o tempo passava, porém, essa ambigüidade passou a ser encarada como pura encenação para esconder suas reais intenções continuístas. Nem a crise econômica e a inflação galopante batiam o temor maior dos conservadores, que era o provável desejo de Jango se tornar ditador. “O receio de que o presidente estava pendendo para o comunismo foi fundamental para sua derrubada, como mostram algumas caricaturas, especialmente as de Hilde, ao mesmo tempo cruel e genial”, diz Motta, para quem os desenhos ajudaram a criar uma imagem pública do presidente. E, de alguma forma, auxiliaram a derrubá-lo.

sábado, 30 de setembro de 2006

Boeing da Gol caiu em terra indígena

A Fundação Nacional do Índio (Funai) confirma que o avião Boeing 737-800 da Gol caiu nessa sexta (29) dentro da terra indígena Capoto Jarina, acima do Parque do Xingu e abaixo da Terra Kayapó, todas áreas contínuas homologadas. A área está localizada no norte do Mato Grosso entre os rios Xingu e Jarina, cerca de 200 quilômetros a oeste do município de Peixoto de Azevedo e da rodovia BR-163.

Segundo a direção da empresa aérea Gol, a localização exata do acidente é 10 graus e 29 minutos Sul e 53 graus e 15 minutos Oeste. O avião que fazia o vôo 1907, de Manaus para o Rio de Janeiro, caiu em uma área de difícil acesso, em meio de floresta fechada. Dois pára-quedistas da Aeronáutica foram lançados de uma aeronave para avaliar a área e preparar uma pista de pouso.

De acordo com o 9º Comando de Policiamento de Área de Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso, a distância tanto de Peixoto de Azevedo quanto de Matupá, uma cidade vizinha, é de cerca de 200 km do local do acidente. Isso seria o equivale a cerca de cinco horas de caminhonete em estrada de terra. As duas cidades, Peixoto de Azevedo estão distantes cerca de oito quilômetros. Pelo menos 30 policiais do Mato Grosso acompanham o resgate de sobreviventes e corpos das vítimas.

O Comando da Aeronáutica informou que dois militares especializados em busca e resgate desceram, por volta das 14 horas, em uma área próxima aos destroços do avião da Gol que caiu ontem (29) no Mato Grosso. O acesso é difícil e os militares tentam abrir uma clareira na densa vegetação para facilitar a operação com helicópteros. Dois pára-quedistas também foram lançados de uma aeronave para avaliar a área e preparar uma pista de pouso, segundo nota oficial.

A Aeronáutica informou que estão envolvidos na operação cinco helicópteros, quatro aviões e uma aeronave com UTI aérea, que aguarda para fazer resgate na região da Serra do Cachimbo. Uma comissão que vai investigar as causas do acidente já está no local. A Aeronáutica afirmou também que ainda não é possível adiantar informações a respeito de possíveis sobreviventes. Havia 155 pessoas a bordo.

Fonte: Agência Brasil

Eleições 2006

‘Peroba neles’ irrita fabricante do óleo

Vera Dantas e Ana Paula Lacerda

O alvo são os políticos, mas o bordão 'peroba neles', marca registrada da campanha do candidato Osmar Lins Peroba, atingiu mesmo foi a King, fabricante do produto.'Óleo de peroba para quem é cara-de-pau já se tornou um jargão, mas incorporar a marca Peroba ao sobrenome é outra história', diz o gerente-geral de vendas da King, Sandro Kitagawa. No registro de nascimento, Osmar Peroba é Osmar de Oliveira Lins.

A King, há 80 anos no mercado, quase o mesmo tempo de existência do óleo de Peroba, é especializada em produtos para limpeza e tem sede no Rio. Mas foi informada sobre a campanha do candidato a deputado estadual por São Paulo. Ele é do Partido dos Aposentados da Nação (PAN) e não desgruda de um frasco de óleo de Peroba.

O caso foi para o departamento jurídico da empresa.'A King é familiar, tradicional e não quer tomar decisões precipitadas, mas está estudando o que fazer', diz Kitagawa. O candidato, que investe no efeito de marketing do óleo de Peroba, para se referir 'à cara-de-pau de certos políticos', desde 2000, ironiza. 'Eles deveriam é me agradecer porque nunca pedi um centavo para a empresa e estou fazendo propaganda de graça do produto', diz Osmar Peroba, que já disputou campanhas para vereador e prefeito.

Não é o que pensa a direção da King, que não vê com bons olhos a mistura de política com negócios, na maré de denúncias e escândalos envolvendo o meio político. 'Pode ser um risco.' Peroba, explica Kitagawa, é uma marca da empresa e a King já ganhou várias ações de concorrentes que tentaram usar o mesmo nome para vender produtos similares.

Produto hidratante para conservar a madeira, o óleo é o carro-chefe da King, com mais de 50% de participação no resultado de vendas. A empresa atende a um público tradicional de consumidoras que, de acordo com Kitagawa, pouco tem se alterado. No ano passado o crescimento foi de 4% em relação a 2004. 'A propaganda eleitoral não elevou em nada as vendas.'

Já Osmar Lins, que passou a campanha acompanhado de um frasco de óleo de Peroba, em seus 19 segundos de horário eleitoral, está convencido da sua contribuição às vendas do produto.'Fui outro dia a Sorocaba para um ato político e o estoque de óleo no mercado municipal estava esgotado. Eles devem estar vendendo muito.'

Outra empresa que não quer seu nome associado ao noticiário político é a fabricante de chuveiros Lorenzetti. Por coincidência, o sobrenome do presidente Aldo Lorenzetti é o mesmo de Jorge Lorenzetti, suposto integrante do esquema de compra de dossiê. 'Gostaria de esclarecer que este senhor não tem qualquer vínculo de parentesco familiar, pessoal ou profissional com esta empresa e seus acionistas. Infelizmente, trata-se de um homônimo', diz o comunicado enviado aos meios de comunicação. A Lorenzetti, fundada em 1923, já vendeu mais de 60 milhões de chuveiros no Brasil.